Credit Black


Uma experiência financeira digital pensada para conectar diferentes momentos da jornada do cliente — da abertura da conta ao gerenciamento de cartões e carteiras.
O CreditBlack é uma proposta de plataforma financeira focada em transações com criptomoedas, construída fora do sistema financeiro tradicional. O projeto parte de um princípio simples: se o usuário não confia totalmente nas instituições centralizadas, então o produto precisa compensar isso com transparência, controle e segurança percebida.
O desafio não era apenas criar uma interface funcional, mas transformar um ambiente naturalmente complexo — cripto — em uma experiência compreensível, confiável e utilizável por diferentes níveis de usuários.
Navegue pelo aplicativo
Contexto
O ponto de partida do projeto não foi interface nem benchmark, mas uma propriedade do próprio sistema: em criptomoedas, transações são irreversíveis. Isso não é uma limitação técnica contornável, é uma regra estrutural.
A implicação direta é que o sistema não corrige erro. Se o usuário toma uma decisão incorreta, o resultado é executado integralmente. Isso desloca o problema de design de “facilitar interação” para algo mais fundamental: controlar o risco gerado pela própria interface.
Nesse contexto, fluidez não é necessariamente um objetivo. Reduzir fricção indiscriminadamente pode, inclusive, aumentar a taxa de erro. A interface precisa equilibrar velocidade com previsibilidade — e, em muitos momentos, desacelerar o usuário intencionalmente.










Estrutura do Produto
A arquitetura foi definida a partir de um problema recorrente em produtos financeiros: a sobreposição entre leitura de estado e execução de ação. Quando essas duas coisas acontecem no mesmo espaço sem hierarquia clara, o usuário tende a agir antes de compreender.
A decisão foi separar explicitamente três momentos: orientação (dashboard), organização (carteiras) e execução (ações como enviar/receber). Essa separação não elimina a complexidade, mas distribui o esforço cognitivo ao longo do fluxo.
O trade-off é direto: aumenta-se a quantidade de navegação e o tempo para executar determinadas ações. No entanto, isso reduz um comportamento mais crítico — ações tomadas sem entendimento suficiente do contexto.
O resultado prático é um sistema menos “imediato”, porém mais estável em termos de tomada de decisão.







Receber Cripto
Ao entrar no fluxo de recebimento, o problema deixa de ser estrutural e passa a ser físico. Endereços de carteira são strings extensas, não possuem semântica legível e qualquer erro de caractere invalida ou redireciona a transação.
Permitir digitação manual como caminho principal seria, essencialmente, aceitar erro como inevitável.
A decisão de centralizar o fluxo em QR code surge como uma forma de eliminar completamente a etapa de input manual. Não se trata de otimizar o fluxo, mas de remover um ponto de falha. O endereço textual continua presente, não como método principal, mas como mecanismo de verificação e interoperabilidade.
Esse desenho assume um trade-off inevitável: QR code depende de outro dispositivo ou contexto externo, enquanto o texto mantém autonomia, porém com maior risco. A solução não escolhe um único caminho, mas hierarquiza — prioriza o mais seguro sem eliminar o mais flexível.
O resultado é a redução direta do erro na origem, em vez de tentar mitigá-lo posteriormente.

Transações
No histórico de transações, o problema não é executar, mas interpretar. O usuário precisa reconstruir rapidamente o que aconteceu: entrada, saída, status e impacto.
Se cada item exige leitura detalhada, o custo cognitivo cresce linearmente com o número de transações. Em cenários reais, isso torna a interface inutilizável.
A decisão foi estruturar a informação em níveis de leitura. O primeiro nível resolve reconhecimento imediato — direção da transação e seu efeito. O segundo adiciona contexto suficiente para validação. O detalhe completo fica acessível, mas não obrigatório.
O trade-off aqui é a compressão da informação visível por item. Parte dos dados deixa de estar imediatamente exposta. No entanto, isso reduz o tempo de varredura visual e melhora a detecção de padrões.
O resultado é uma interface que funciona melhor em escala, onde o usuário não lê o histórico, mas o percorre.

Nova Carteira
Durante a criação de uma nova carteira, surge um problema de modelo mental. A distinção entre ativos não é óbvia para usuários menos experientes, e o sistema não oferece correção posterior simples.
Se o produto permitir a criação sem explicitar essa regra, o erro só se manifesta depois, já no uso, onde o custo é maior.
A decisão foi antecipar esse ponto e forçar a definição do ativo no momento da criação, reforçando explicitamente o que está sendo configurado. Isso introduz uma quebra no fluxo direto, obrigando o usuário a tomar uma decisão consciente.
O trade-off é a introdução de fricção em um momento que poderia ser mais rápido. No entanto, essa fricção não é arbitrária — ela existe para deslocar o erro de um ponto irreversível para um ponto controlado.
O resultado é a prevenção de inconsistências estruturais que comprometeriam o uso futuro.

Gerenciamento de Carteiras
Com múltiplas carteiras, o sistema deixa de ser linear e passa a exigir organização. Sem uma estrutura clara, o usuário perde a capacidade de formar um modelo mental consistente.
A decisão foi expor simultaneamente duas perspectivas: uma visão agregada, que permite entender distribuição de valor, e uma visão individual, que mostra comportamento específico de cada carteira.
Isso aumenta a densidade da interface e exige um esforço inicial maior de leitura. Esse é o trade-off explícito: menor simplicidade superficial em troca de maior capacidade de compreensão sistêmica.
O resultado é que o usuário não precisa navegar para construir contexto. Ele começa já com uma visão estruturada do sistema.

Carteira Interna
A tela da carteira interna concentra o ponto de maior risco do produto. É onde o usuário consulta saldo, decide e executa ações irreversíveis.
Uma abordagem comum seria separar essas funções em diferentes telas para reduzir complexidade visual. No entanto, isso introduz um problema mais grave: perda de contexto no momento da decisão.
A decisão foi manter todas as informações relevantes no mesmo espaço. O usuário não precisa lembrar seu saldo ao iniciar uma ação, nem reconstruir histórico ao validar uma decisão. Tudo está visível no momento crítico.
Avisos contextuais são inseridos exatamente onde a probabilidade de erro aumenta. Eles não funcionam como instruções gerais, mas como mecanismos de interrupção em pontos de risco.
O trade-off é uma interface mais densa e menos minimalista. A estética cede espaço para a função.
O resultado é uma redução na dependência de memória e, consequentemente, menor probabilidade de erro em ações críticas.


“Os fluxos foram desenhados com foco em minimizar erro em um ambiente de alto risco, onde decisões do usuário têm impacto financeiro direto. A solução equilibra simplicidade operacional com segurança, garantindo que o usuário tenha controle sem ser sobrecarregado pela complexidade do sistema.”
— Rafael Setubal
Conclusão
O projeto evoluiu de uma necessidade pontual para a construção de um ecossistema digital mais amplo. A partir de uma linguagem visual consistente, diferentes jornadas — da criação e gerenciamento de carteiras às experiências institucionais — passaram a fazer parte de uma mesma experiência.
Mais do que desenhar interfaces, o desafio foi criar uma base capaz de organizar diferentes produtos, fluxos e pontos de contato sem perder clareza ou consistência.
rafael setubal ®
Tem um projeto em mente?
Tem um projeto em mente?
Me conte um pouco sobre o que você está construindo, redesenhando ou tentando resolver.
Resposta rápida. Se você está pronto para criar e colaborar, adoraria ouvir de você.
Próximos passos claros. Depois da primeira conversa eu compartilho plano, escopo e prazos — sem surpresas.


